Sínodo da Amazônia testa potencial de abertura da Igreja Católica

(El País)

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Roma (Daniel Verdu)

Encontro que começa domingo continuará sem o direito ao voto feminino, mas debaterá a ordenação de homens casados

 

As questões mais espinhosas às vezes são debatidas através de argumentos periféricos. Há alguns meses era difícil imaginar que o sínodo da Amazônia, que começa no próximo domingo no Vaticano e vai até o dia 26, pudesse se tornar uma das assembleias episcopais mais importantes para a definição do papel na Igreja do século XXI. A reunião, pensada como um debate sobre os novos caminhos de evangelização no pulmão do mundo, se transformou em um fórum tão crucial quanto incômodo para a Igreja, por abordar assuntos como o celibato e os direitos dos indígenas. Além disso, exporá de novo o irrelevante papel da mulher na tomada de decisões.

O germe deste sínodo surgiu há quase dois anos em Puerto Maldonado, no Peru, quando o Papa viajou a esse país e ao Chile. A Amazônia se encontra hoje, de forma completamente imprevista naquela época, no centro do debate político, social e ambiental do mundo. Mas o interesse de Francisco pela ecologia marca todo o seu Pontificado e já tomou corpo teológico através da encíclica Laudato Si. Uma reivindicação do ambientalismo integral que foi recordada nesta quinta-feira pelo cardeal e secretário do sínodo, Lorenzo Baldiseri: “Uma ecologia que não trate as questões só olhando para o meio ambiente, mas também que compreenda a dimensão humana e social. Uma ecologia que tenha presente a essência do homem”

 

 

O sínodo, para o qual 80.000 pessoas se fizeram ouvir, fornecendo as informações preliminares, discutirá sobre uma zona geográfica que abrange sete nações. A proposta, entretanto, incomoda especialmente o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que o considera uma ingerência na soberania nacional. “Respeitamos a soberania do Brasil. Mas a Igreja também está na Amazônia”, advertiu o cardeal Cláudio Hummes, presidente da Rede Eclesiástica Pan-Amazônica (REPAM) e participante do encontro.   (…)

Fotos: Pixabay (Domínio Público)

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Redação Frente Dom Paulo