POR QUE A FRENTE DOM PAULO EVARISTO ARNS?

A Frente Dom Paulo foi criada no movimento contra a criminalização dos movimentos sociais, na Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, para mobilizar comunidades, através da sua convivência nos ambientes comunitários das religiões para a união em ações de conscientização e defesa das conquistas civilizatórias sintetizadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Embora o escopo da Frente tenha essa amplitude, o fator decisivo foram alertas recorrentes sobre violência física e simbólica exercida contra espaços e pessoas praticantes de cultos de matriz africana.

Com o legado da tradição de ações inter-religiosas inaugurada no cardinalato de Dom Paulo Evaristo Arns, os fundadores da Frente intuíram que a forma mais eficaz para combater a violência religiosa é através da força das próprias religiões, e da força moral dos princípios que estão na raiz de quase todas, de amor, compaixão, perdão, e solidariedade social.

A figura de Dom Paulo, como símbolo, decorre da sua coragem, paciência e perseverança em toda a trajetória de generosidade e desprendimento na aplicação das diretrizes do Concílio Vaticano II, realizado com a liderança do Papa João 23. A missa ecumênica realizada em 1975 em honra à memória e dignidade do jornalista Vladimir Herzog, assassinado por torturadores no DOI-CODI em 1975, sob a ditadura militar, mostrou, tendo ele a seu lado o pastor protestante Jaime Wright e o rabino Henry Sobel, a força simbólica da união de religiões pelos direitos humanos.

Os fundadores da Frente entendem que os objetivos de mobilizar comunidades em defesa das conquistas civilizatórias dos direitos humanos ganha maior força com se propõem a promover para a memória das novas gerações a valorização da importância de Dom Paulo, ao lado de outros combatentes pela justiça e paz, daquele momento para o abrandamento da ditadura e a futura redemocratização do país.

Sob a liderança de Dom Paulo, homem que somava ao compromisso inquebrantável ético e moral, a generosidade, a habilidade política, e a visão institucional e estrutural de longo prazo, teve grande estímulo a Casa de Reconciliação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que aglutinou de forma contínua e sistemática as lideranças religiosas que construíram o Diálogo Inter-Religioso em São Paulo, influenciando iniciativas em todo o país.

A Frente Dom Paulo Evaristo Arns surge para construir sobre esse legado sólido, histórico e vivo, um processo de engajamento progressivo de membros de todas as religiões para se unirem na imprescindível luta social por justiça, paz, direitos humanos e reconciliação, diante da violência associada à crise moral e de governança por que passa o nosso país.

A Frente tem também na sua origem a Carta Aberta a Israelenses, Palestinos, Árabes, Judeus e cidadãos de boa vontade em todo o mundo, em que fez presente a liderança da Comissão Justiça e Paz, saudando a oração inter-religiosa promovida no Vaticano pelo Papa Francisco, com os presidentes da Autoridade Palestina e do Estado de Israel, em 2014.

Já participaram nas reuniões e visitas que vêm conceituando e dando forma à Frente Dom Paulo, lideranças das várias religiões cristãs, do judaísmo, do islamismo, das religiões de matriz africana (candomblé e umbanda), do kardecismo, e da fé Baha´i.

Em próximas reuniões, certamente teremos também a participação de budistas, de religiões indígenas, e de aderentes a outros sistemas de crenças e filosofias.