Nota da Pastoral Carcerária, com as mortes de 57 presos em prisões privadas de Manaus

(Pastoral Carcerária Nacional)

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O que você está sentindo? Hoje em Manaus ocorreu mais um desastre: a lei da vida foi traída, pisada, anulada. Se colocamos algumas vidas na série A, e outras na segunda categoria, estamos dispostos a aceitar que haja condições onde o índio possa valer menos, o negro possa valer menos, o estrangeiro (não branco, é claro!) possa valer menos. A estrada da discriminação leva longe. A cadeia encandeia: de um lado cega nossos sentimentos de piedade, do outro mostra com clareza que precisamos de luz, de reflexão. É noite para a minha alma, é noite também para o meu corpo. Hoje a noite partilho a reflexão sobre a escuridão.

(Padre João, Coordenador Estadual da Pastoral Carcerária de Manaus )

Manaus – É na dor do luto e na esperança da luta por uma vida libertada do sistema prisional que a Pastoral Carcerária Nacional vem se posicionar frente a mais um massacre fruto do aprisionamento em massa, do descaso com vidas tidas como descartáveis, da ganância de empresas privadas e do genocídio protagonizado pelo Estado brasileiro.

Desde domingo, quando 15 presos foram mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, a contagem de corpos não cessou. Nesses últimos dias, ao menos 55 pessoas foram encontradas sem vida no Compaj e em outras três unidades prisionais do Amazonas: IPAT, CPDM 1 e UPP – sem contar o número de feridos -, em um episódio que nos remete diretamente à série de massacres de 2017  (…)

Frente Dom Paulo

Redação Frente Dom Paulo

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