21 de janeiro: Mas há intolerância religiosa no Brasil?

(Frente Inter-Religiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz)

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São Paulo – Sérgio Storch


Há intolerância religiosa que cresce de forma alarmante no Brasil. São frequentes as denúncias de destruição de espaços sagrados das religiões de matriz africana, em várias regiões, sendo especialmente alarmante no Rio de Janeiro e em Salvador.

No Rio, cidade governada por um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, e onde o assassinato político de Marielle revelou ao mundo inteiro a força das milícias que dominam territórios, a violência contra terreiros nas favelas é produto de uma confluência sinistra: a aliança com o tráfico organizado, que conta com o banditismo das lideranças convertidas nas prisões.

Em Salvador ocorreu a agressão que deu origem à criação desta data, em homenagem à Mãe Gilda, sacerdotisa do candomblé que faleceu por não ter resistido aos danos físicos e morais causados por um ataque de fanáticos que literalmente demonizam as religiões de matriz africana.

Em várias regiões do país, a violência desencadeada pelo próprio presidente da República durante a sua campanha encorajou grupos fanatizados a também cometerem atos criminosos contra o candomblé e a umbanda. Na Grande São Paulo há crescente número de casos de “bullying” de crianças muçulmanas que utilizam véus prescritos pela sua religião. E indígenas são também humilhados com a destruição de suas casas de reza e tratamento depreciativo de suas tradições.

Neste ano, face à excepcionalidade do momento político no país, diversos grupos, coletivos e movimentos ligados às várias religiões entenderam ser necessário somar forças para uma tomada de posição especialmente contra o ódio religioso pretensamente baseado nos livros sagrados do cristianismo, e mostrar à sociedade que o verdadeiro cristianismo é baseado na mensagem central de amor ao próximo, e não nas narrativas apocalípticas e guerreiras adotadas por uma parte dos evangélicos.

Em âmbito nacional, com adesões adicionais em cada localidade, uniram-se a Frente Inter-religiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz, o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs – CONIC, a KOINONIA – Presença e Serviço Ecumênico, a Rede FALE, a Evangélicas pela Igualdade de Gênero – EIG, e programaram atos inter-religiosos em várias cidades, e/ou adesão a atos que já vinham sendo construídos por outras organizações, como é o caso de Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. No conjunto, são 16 cidades, do Rio Grande do Sul até Roraima.

Como foi o ato em cada cidade?

Veja aqui as informações consolidadas desta iniciativa em presença nacional.

 

Fotos: Wikipedia (Domínio Público)

 

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Redação Frente Dom Paulo

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